As coisas estão passando mais depressa
O ponteiro marca 120
O tempo diminui
As árvores passam como vultos
A vida passa, o tempo passa
Estou a 130
As imagens se confundem
Estou fugindo de mim mesmo
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado
De tristeza, de incerteza
Estou a 140
Fugindo de você
Eu vou voando pela vida sem querer chegar
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar
Vivo, fugindo, sem destino algum
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum
O ponteiro marca 150
Tudo passa ainda mais depressa
O amor, a felicidade
O vento afasta uma lágrima
Que começa a rolar no meu rosto
Estou a 160
Vou acender os faróis, já é noite
Agora são as luzes que passam por mim
Sinto um vazio imenso
Estou só na escuridão
A 180
Estou fugindo de você
Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim
O ponteiro agora marca 190
Por um momento tive a sensação
De ver você a meu lado
O banco está vazio
Estou só a 200 por hora
Vou parar de pensar em você
Pra prestar atenção na estrada
Vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes, às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim
Eu vou, vou voando pela vida
Sem querer chegar
[Roberto Carlos - O REI]
sábado, 24 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Depois do jantar
Sabe, hoje depois do nosso jantar tailandês, você deitou e dormiu de forma não romântica no meu sofá, assistindo ao jogo do Flamengo. E ao invés de me irritar, eu sentei pra escrever. Sei que você vai negar que dormiu, mas tudo bem. Quando você ler isso, já vai ser bem tarde.
Você tem sido frio comigo ultimamente, acho que isso se deve ao fato de que você tem trabalhado muito, e espero que seja isso mesmo. Não me queixo, eu te entendo. Entendo até mais do que gostaria e suporia em qualquer ocasião entender.
Mas sabe, toda vez que você é distante, eu sou acometida de dolorosas faltas de ar. Sim, faltas de ar, creio eu que semelhantes a uma crise de pânico, tenho surtado a sua ausência e seus maus tratos.
Passo mal com a sua distância. Não sei viver longe de você. E você mora muito longe de mim, e parece ter escolhido viver bem longe também. Você escolheu a sua locação e arrastou meu coração contigo, deixando minhas vísceras expostas sem muita dó ou piedade.
Sem o menor sentimento, ou remorso, me tratas como se eu fosse mais uma, e eu por entender ainda te preparo jantares e te cedo meu sofá, minha compreensão, meu amor. Sou eternamente escrava dessa paixão, do desejo de te ter ao meu lado. Sou escrava de ti e de meus sentimentos.
Sou uma refém entorpecida do amor que nutro, sem esperanças de reciprocidade, de ti. Acho que vou embora, estou me sentindo muito mal. Quando acordares, apague as luzes e deixe a TV ligada pro cachorro não se sentir só.
Os pratos eu já lavei, tua roupa de ontem, está limpa perto da porta do meu quarto. Se quiser ficar, guarde-as de novo no armário de onde elas nunca deviam ter saído. Caso contrário a mala fica no maleiro do lado da porta de entrada. Faça bom uso, não precisa devolver.
Caso escolha o caminho do mundo, esqueça esse endereço também, pretendo me mudar pra onde você não possa mais me encontrar e só quando eu quiser volto a bater na sua porta, sem remorso de ter ido, mas com todo de ter voltado.
Desculpa se eu sinto de forma diferente, sou artista, poetisa, você deveria saber disso quando se envolveu comigo. Minha vida é melodrama, novela de TV (mexicana), sou assim coração exposto. E agora, esmigalhado e humilhado por falta de amor.
Sinto que estas quase acordando, parece que tiveste pesadelo, vou deixar a carta embaixo do pote de castanhas. Sei que quando levantares desse sono vai à geladeira procurar água e logo verás os escritos. Não só esse, como todos os que eu já escrevi pra ti.
Ou posso te dar de presente de aniversário, uma semana não faz diferença pra amargura do meu coração. Vou ver, vou pensar. Estas acordando, vou fingir que nada aconteceu.
[Trecho retirado de: Borboleta, uma história de amor]
Você tem sido frio comigo ultimamente, acho que isso se deve ao fato de que você tem trabalhado muito, e espero que seja isso mesmo. Não me queixo, eu te entendo. Entendo até mais do que gostaria e suporia em qualquer ocasião entender.
Mas sabe, toda vez que você é distante, eu sou acometida de dolorosas faltas de ar. Sim, faltas de ar, creio eu que semelhantes a uma crise de pânico, tenho surtado a sua ausência e seus maus tratos.
Passo mal com a sua distância. Não sei viver longe de você. E você mora muito longe de mim, e parece ter escolhido viver bem longe também. Você escolheu a sua locação e arrastou meu coração contigo, deixando minhas vísceras expostas sem muita dó ou piedade.
Sem o menor sentimento, ou remorso, me tratas como se eu fosse mais uma, e eu por entender ainda te preparo jantares e te cedo meu sofá, minha compreensão, meu amor. Sou eternamente escrava dessa paixão, do desejo de te ter ao meu lado. Sou escrava de ti e de meus sentimentos.
Sou uma refém entorpecida do amor que nutro, sem esperanças de reciprocidade, de ti. Acho que vou embora, estou me sentindo muito mal. Quando acordares, apague as luzes e deixe a TV ligada pro cachorro não se sentir só.
Os pratos eu já lavei, tua roupa de ontem, está limpa perto da porta do meu quarto. Se quiser ficar, guarde-as de novo no armário de onde elas nunca deviam ter saído. Caso contrário a mala fica no maleiro do lado da porta de entrada. Faça bom uso, não precisa devolver.
Caso escolha o caminho do mundo, esqueça esse endereço também, pretendo me mudar pra onde você não possa mais me encontrar e só quando eu quiser volto a bater na sua porta, sem remorso de ter ido, mas com todo de ter voltado.
Desculpa se eu sinto de forma diferente, sou artista, poetisa, você deveria saber disso quando se envolveu comigo. Minha vida é melodrama, novela de TV (mexicana), sou assim coração exposto. E agora, esmigalhado e humilhado por falta de amor.
Sinto que estas quase acordando, parece que tiveste pesadelo, vou deixar a carta embaixo do pote de castanhas. Sei que quando levantares desse sono vai à geladeira procurar água e logo verás os escritos. Não só esse, como todos os que eu já escrevi pra ti.
Ou posso te dar de presente de aniversário, uma semana não faz diferença pra amargura do meu coração. Vou ver, vou pensar. Estas acordando, vou fingir que nada aconteceu.
[Trecho retirado de: Borboleta, uma história de amor]
terça-feira, 20 de abril de 2010
Mói
Refleti essa tarde sobre mim. Depois de mais uma atitude idiota, impensada e impulsiva vi, mais uma vez, a grande idiota que sou. Ou melhor, que fui. Hoje, agora, nesse minuto e para os próximos, eu vou mudar.
Eu te amo, te amo sim, não vou deixar de te amar. Só que agora vou me amar um pouco mais, vou m enxergar um pouco mais, vou me querer um pouco mais. Acho que tu queres que eu queira isso. Não importa!
O que interessa agora é como eu me sinto, e dizer que estou bem, ainda não é verdade, mas eu já estive pior. Pra ser sincera, alterno, no decorrer do dia. Como uma montanha russa sem fim.
Mas eu sou Fênix, renasço das minhas próprias cinzas, mais linda e mais forte do que antes. Reconstruo-me e me fortaleço assim, a cada queda, a cada decepção, a cada desgosto. A vida não é um mar de rosas, e se fosse, seria chata.
Ainda assim, prefiro ser poetisa, morrer de tanto sentir (a não sentir nada, como uns e outros por aí). Se eu sinto, quero que o mundo sinta comigo e saiba com perfeição e exatidão de detalhes o que estou sentido.
Assim, o mundo vê que vou as cinzas e delas retorno, como que num passe de mágica. E é assim mesmo, na mágica de ser quem sou. Implicante, astuta, sagaz, irônica, sarcástica, doce e meiga, atraente, assustadora.
Engraçada, palhaça, feliz. Às vezes triste, meio mal humorada, sorridente, com tiradas sempre e pra tudo. Cativante a ponto de cativar “incativáveis”. Com o dom da escrita e da oralidade, de tal forma, que nem estátua deixa de se curvar, se eu quiser.
Um pouco prepotente? Talvez. Mas acima de tudo, conhecedora de mim. Cada qualidade, cada defeito, mapeado, gravado e guardado. Para ser aparado ou aperfeiçoado. Quando eu sou boa, eu sou boa, mas quando eu sou péssima, eu sou ótima. Um fato que eu não posso negar.
Não é que não dê, meu caro, é que não dá. Descobri, analisando a mim mesma, que eu preciso me amar antes, pra você me amar depois. Vou me encontrar e quem sabe você não me encontra de novo, ou alguém não encontra, não é mesmo?
Eu te amo, te amo sim, não vou deixar de te amar. Só que agora vou me amar um pouco mais, vou m enxergar um pouco mais, vou me querer um pouco mais. Acho que tu queres que eu queira isso. Não importa!
O que interessa agora é como eu me sinto, e dizer que estou bem, ainda não é verdade, mas eu já estive pior. Pra ser sincera, alterno, no decorrer do dia. Como uma montanha russa sem fim.
Mas eu sou Fênix, renasço das minhas próprias cinzas, mais linda e mais forte do que antes. Reconstruo-me e me fortaleço assim, a cada queda, a cada decepção, a cada desgosto. A vida não é um mar de rosas, e se fosse, seria chata.
Ainda assim, prefiro ser poetisa, morrer de tanto sentir (a não sentir nada, como uns e outros por aí). Se eu sinto, quero que o mundo sinta comigo e saiba com perfeição e exatidão de detalhes o que estou sentido.
Assim, o mundo vê que vou as cinzas e delas retorno, como que num passe de mágica. E é assim mesmo, na mágica de ser quem sou. Implicante, astuta, sagaz, irônica, sarcástica, doce e meiga, atraente, assustadora.
Engraçada, palhaça, feliz. Às vezes triste, meio mal humorada, sorridente, com tiradas sempre e pra tudo. Cativante a ponto de cativar “incativáveis”. Com o dom da escrita e da oralidade, de tal forma, que nem estátua deixa de se curvar, se eu quiser.
Um pouco prepotente? Talvez. Mas acima de tudo, conhecedora de mim. Cada qualidade, cada defeito, mapeado, gravado e guardado. Para ser aparado ou aperfeiçoado. Quando eu sou boa, eu sou boa, mas quando eu sou péssima, eu sou ótima. Um fato que eu não posso negar.
Não é que não dê, meu caro, é que não dá. Descobri, analisando a mim mesma, que eu preciso me amar antes, pra você me amar depois. Vou me encontrar e quem sabe você não me encontra de novo, ou alguém não encontra, não é mesmo?
Por que?
Por que a gente espera?
Espera aquela resposta que não vem...
Um arrependimento que não existe...
Por um telefone que não vai tocar..
Pela mensagem que não vai chegar..
Belo 'boa noite' tão necessário pra dormir..
Pelo beijo tão incrível pra poder ser feliz
Por que a gente espera?
Por quem não quer mais a gente..
Por quem não espera mais pela gente..
Por quem não espera mais nada...
Por que a gente se preocupa?
Por quem não tá nem aí..
Por quem nem sequer responder..
Por quem nos quer longe...
Por que?
E por que não é tudo ao contrário? Ou mesmo tudo diferente? Porque tudo tem que ser assim. Pelo menos comigo parece tudo sempre tão fora o lugar, e quando parecia no lugar, puff, desomoronou na minha cabeça.
Por que? Só queria saber o porquê.
Espera aquela resposta que não vem...
Um arrependimento que não existe...
Por um telefone que não vai tocar..
Pela mensagem que não vai chegar..
Belo 'boa noite' tão necessário pra dormir..
Pelo beijo tão incrível pra poder ser feliz
Por que a gente espera?
Por quem não quer mais a gente..
Por quem não espera mais pela gente..
Por quem não espera mais nada...
Por que a gente se preocupa?
Por quem não tá nem aí..
Por quem nem sequer responder..
Por quem nos quer longe...
Por que?
E por que não é tudo ao contrário? Ou mesmo tudo diferente? Porque tudo tem que ser assim. Pelo menos comigo parece tudo sempre tão fora o lugar, e quando parecia no lugar, puff, desomoronou na minha cabeça.
Por que? Só queria saber o porquê.
domingo, 18 de abril de 2010
A dor que não passa...
Cólica dói, prender o dedo na porta também, mas a dor de não ter é a pior das dores que eu já conheci na vida. A dor de não saber. Não saber como tem passado, se conseguiu aquele anel que sempre quis, se cortou o cabelo ou se deixou crescer, se mudou o estilo ou continuou como aquele de antes.
Não saber se ainda guarda aquelas fotos, aquelas cartas, se ainda escuta aquelas músicas. Se ainda pensa naqueles momentos, se sente saudade como sentia antes, se aquele aperto no coração foi enfim embora ou se, se consolidou de uma vez.
A dor é não saber. Não saber se gosta mesmo ou se isso é tudo arrumação, não saber não ter certeza. Não poder ver, não poder tocar, sentir o cheiro, ouvir a voz. É perder a convivência tão freqüente, os hábitos das ligações.
A dor agora é saber... Saber do telefone que não vai mais tocar todo dia mais ou menos na mesma hora, das cartas tão prometidas que não vão chegar, das orquídeas sempre mencionadas, mas nunca entregues... Saber que agora as tardes de sábado e as noites de domingo vão ser ocupadas com qualquer outra coisa, menos com você.
A dor saber que não há remédio pra essa dor, senão o tempo. Saber que esse oco vai permanecer assim, ecoando o vazio e a ausência de você. Que a cabeça vai pensar e o coração vai se debater fraco e sem vida aqui dentro. E saber também que pra qualquer outra dor, têm-se soluções, menos pra essa. Não há remédio, não há cura.
Liberdade é amarga, a saudade também. Saudade é amarga, azeda e com gosto meio “travoso”, fica presa na língua, junto com as palavras muito pensadas e nunca ditas. Com pensamentos tão confusos e tão doidos, que não deixam o coração ficar em paz. Junto com um coração apertado de tanta dor, que tenta se esconder do mundo. E com os olhos tão marcados pelas lágrimas, que negar o choro é até ridículo.
Dizer que a esperança morreu é mentira. Essa maldita que do peito da humanidade fez moradia insiste e persiste em crer que há volta, que há motivos para acreditar e a voz que vem junto com ela grita, ou melhor, rouca e quase muda sussurra lá dentre ‘vai, vai que é ele’.
Enquanto o pobre amor me pede, me implora, chora e geme dentro de mim, pedindo pra que eu não desista. Não desista de ti, não desista de mim, não desista da vida. Me pede pra não deixar passar, me pede pra fazer alguma coisa, alguma coisa que eu não posso fazer. Perdi forças com tuas palavras, me perdi dentro de ti, mas antes me perdi dentro de mim mesma e não consigo mais me encontrar.
Eu não tenho nada pra fazer agora, e nem consigo fazer nada agora. Mas com felicidade eu digo que a cada dia que vai passar eu vou acordar precisando menos de você. Felicidade em partes, porque eu sinto muitíssimo precisar me sentir assim. Mas como você escolheu o seu futuro, me obrigando a aceita-lo, vou ter que conviver com isso.
Vou ter que ser feliz de novo. Mas a dor de não saber, essa meu caro, me perdoe mas vai me acompanhar.
Não saber se ainda guarda aquelas fotos, aquelas cartas, se ainda escuta aquelas músicas. Se ainda pensa naqueles momentos, se sente saudade como sentia antes, se aquele aperto no coração foi enfim embora ou se, se consolidou de uma vez.
A dor é não saber. Não saber se gosta mesmo ou se isso é tudo arrumação, não saber não ter certeza. Não poder ver, não poder tocar, sentir o cheiro, ouvir a voz. É perder a convivência tão freqüente, os hábitos das ligações.
A dor agora é saber... Saber do telefone que não vai mais tocar todo dia mais ou menos na mesma hora, das cartas tão prometidas que não vão chegar, das orquídeas sempre mencionadas, mas nunca entregues... Saber que agora as tardes de sábado e as noites de domingo vão ser ocupadas com qualquer outra coisa, menos com você.
A dor saber que não há remédio pra essa dor, senão o tempo. Saber que esse oco vai permanecer assim, ecoando o vazio e a ausência de você. Que a cabeça vai pensar e o coração vai se debater fraco e sem vida aqui dentro. E saber também que pra qualquer outra dor, têm-se soluções, menos pra essa. Não há remédio, não há cura.
Liberdade é amarga, a saudade também. Saudade é amarga, azeda e com gosto meio “travoso”, fica presa na língua, junto com as palavras muito pensadas e nunca ditas. Com pensamentos tão confusos e tão doidos, que não deixam o coração ficar em paz. Junto com um coração apertado de tanta dor, que tenta se esconder do mundo. E com os olhos tão marcados pelas lágrimas, que negar o choro é até ridículo.
Dizer que a esperança morreu é mentira. Essa maldita que do peito da humanidade fez moradia insiste e persiste em crer que há volta, que há motivos para acreditar e a voz que vem junto com ela grita, ou melhor, rouca e quase muda sussurra lá dentre ‘vai, vai que é ele’.
Enquanto o pobre amor me pede, me implora, chora e geme dentro de mim, pedindo pra que eu não desista. Não desista de ti, não desista de mim, não desista da vida. Me pede pra não deixar passar, me pede pra fazer alguma coisa, alguma coisa que eu não posso fazer. Perdi forças com tuas palavras, me perdi dentro de ti, mas antes me perdi dentro de mim mesma e não consigo mais me encontrar.
Eu não tenho nada pra fazer agora, e nem consigo fazer nada agora. Mas com felicidade eu digo que a cada dia que vai passar eu vou acordar precisando menos de você. Felicidade em partes, porque eu sinto muitíssimo precisar me sentir assim. Mas como você escolheu o seu futuro, me obrigando a aceita-lo, vou ter que conviver com isso.
Vou ter que ser feliz de novo. Mas a dor de não saber, essa meu caro, me perdoe mas vai me acompanhar.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Sentir-se amado
O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
[Martha Medeiros]
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
[Martha Medeiros]
domingo, 11 de abril de 2010
As sete
Olhei a tarde cair púrpura pela janela do meu quarto enquanto pensava sobre a vida e sua brevidade. Pensei em tudo o que já vivi e nas experiências que carrego sobre meus cansados e machucados ombros.
Pensei muito em mim, mas pensei em você também. Pensei em ‘porquês’, e em muitas respostas aos meus ‘porquês’. Vi que naquele raro momento racional (e não passional) meu, eu via as coisas tão claras quanto as águas da Antártida (até consegui aprofundar-me uns 80 metros a mais na minha tão obscura mente).
Fui passear pelo mundo, sozinha, então, na tentativa de encontrar mais respostas. Perguntas e mais perguntas não paravam de se formular em minha mente e eu precisava urgentemente de certeza dentro de mim, precisava dar um rumo a minha vida e não podia fazer isso com a cabeça cheia de grilos.
Para começar o passeio, andei sobre toda a extensão da Muralha da China mais de mil vezes repetindo e repetindo esse momento em mim, para ter certeza que não cometeria nenhum erro em minhas análises. Perguntei-me e respondi-me tudo, mas tudo mesmo, o que você possa imaginar. Descobri que um mais um é sempre dois e que certas coisas nunca vão mudar, mesmo que você faça alpinismo no Everest e escale a dentes a Muralha da China.
Fui, depois, à Petra visitar as esculturas em pedras que o mundo todo consagrou. E vi que assim com aquelas pedras, meus sentimentos e certezas são firmes e estão marcados em mim para nunca mais se apagarem. Talvez a forma até mude um pouco, o tempo os modifique, mas nada os destruirá (e isso vem de encontro com as suas certezas sobre a minha ‘volatilidade’). Vi que tudo o que amo realmente e preservo em mim, são como aquelas pedras, eternas apesar das adversidades do ambiente.
Segui rumo ao Rio, olhei para o Cristo Redentor e pedi que depois de tudo o que eu tinha descoberto, ele me abençoasse e me permitisse ter para sempre em mim tudo aquilo de belo que eu havia descoberto. Pedi saúde e condições de te levar comigo um dia por essa mesma jornada, na chance de te fazer entender a beleza real das coisas. Que a propósito, não estão visíveis aos olhos da carne. Fui à praia, ‘lavei a alma’, vi o pôr-do-sol enquanto passava a mão em um vira-lata que se sentou compreensivamente ao meu lado.
Ao raiar do dia, continuei o meu passei e vaguei um pouco pelos terraços de Machu Picchu para desanuviar a mente de tudo e relaxar o meu corpo tão cansado de tanto pensar. Fui ao topo de Chichén Itzá e gritei aos quatro ventos o teu nome (espero que tenhas escutado lá no fundo do coração) e claro aproveitei para dar uma olhada na paisagem, linda de morrer, por sinal, de morrer não de viver. Tive vontade de viver, muita vontade de viver! E resolvi que viveria melhor a partir daquele momento.
No final daquela mesma noite eu fui ao Coliseu de Roma e massacrei lá, como os antigos, os meus próprios elefantes, panteras e leões. Julguei ali o meu amor, fui julgada por ele também e no final das contas entramos em acordo, creio eu. Jantei, tarde da noite, em uma cantina e dormi um pouco, mas não foi um jantar qualquer foi um com tudo o que eu tinha direito, com exceção da companhia, que era você e a essa altura estava vagando pela sua própria mente, em sua própria viagem particular. Digamos então que jantei com tudo e com a sua ausência também.
E para finalizar a minha redescoberta de mim e de você fui ao Taj Mahal. Que grande ironia não? Uma das maiores provas de amor da humanidade sendo apreciada por uma alma solitária como a minha. Em todo aquele mármore branco, nos fios de ouro e nas pedras preciosas eu vi o amor de um homem por uma mulher.
Não que o amor precise ser demonstrado atráves de coisas materiais, mas o amor daquele homem foi tanto que ultrapassou a barreira do racional (assim como o meu) e deu a sua amada o que ele julgou ser o mais perfeito dos palácios. E acredite, deve ser mesmo! Me identifiquei um pouco com ele, senti que se condições tivesse, talvez fizesse o mesmo para alguém.
Vi ali, naquele lugar, naquele momento que eu já tinha construido o meu próprio Taj Mahal, em menores prorporções e sem tanto luxo, de fato. O meu era apenas um lugarzinho especial dentro de mim, o teu recanto, onde anos e anos poderiam se passar e ainda sim permanecerias ali. Intacto, incólume as forças do tempo.
Girei o mundo para ver as sete maravilhas da modernidade e não consegui encontrar sentido na beleza daquilo tudo sem alguém ao meu lado. Tudo o que eu consegui ver foi a falta que um alguém (“um você”) fazia na minha vida, e confesso, não me conformo com isso.
Como eu, em face de tanta beleza, de tanta maravilha não pude tirar você da cabeça e nem sequer no coração. Fiz então o percurso de novo, só que dessa vez com o propósito de te esquecer. Tentei te jogar da Muralha da China, te perder nas areias de Petra, pedi ao Cristo que te tirasse de dentro de mim... Escondi-me de ti por entre os terraços de Machu Picchu, gritei contigo do topo do Chichén Itzá, lutei contra ti e contra o amor que eu sinto dentro do Coliseu e morri no Taj Mahal
E por quê? Eu também não sei. No fundo, esse paradoxo que és, acaba sendo tudo o que eu tenho. As sete, oito, nove, mil.. maravilhas do meu mundo antigo, moderno, futuro. E depois de tudo eu não faço mais questão de mudar nada. Por que eu sou assim?
Pensei muito em mim, mas pensei em você também. Pensei em ‘porquês’, e em muitas respostas aos meus ‘porquês’. Vi que naquele raro momento racional (e não passional) meu, eu via as coisas tão claras quanto as águas da Antártida (até consegui aprofundar-me uns 80 metros a mais na minha tão obscura mente).
Fui passear pelo mundo, sozinha, então, na tentativa de encontrar mais respostas. Perguntas e mais perguntas não paravam de se formular em minha mente e eu precisava urgentemente de certeza dentro de mim, precisava dar um rumo a minha vida e não podia fazer isso com a cabeça cheia de grilos.
Para começar o passeio, andei sobre toda a extensão da Muralha da China mais de mil vezes repetindo e repetindo esse momento em mim, para ter certeza que não cometeria nenhum erro em minhas análises. Perguntei-me e respondi-me tudo, mas tudo mesmo, o que você possa imaginar. Descobri que um mais um é sempre dois e que certas coisas nunca vão mudar, mesmo que você faça alpinismo no Everest e escale a dentes a Muralha da China.
Fui, depois, à Petra visitar as esculturas em pedras que o mundo todo consagrou. E vi que assim com aquelas pedras, meus sentimentos e certezas são firmes e estão marcados em mim para nunca mais se apagarem. Talvez a forma até mude um pouco, o tempo os modifique, mas nada os destruirá (e isso vem de encontro com as suas certezas sobre a minha ‘volatilidade’). Vi que tudo o que amo realmente e preservo em mim, são como aquelas pedras, eternas apesar das adversidades do ambiente.
Segui rumo ao Rio, olhei para o Cristo Redentor e pedi que depois de tudo o que eu tinha descoberto, ele me abençoasse e me permitisse ter para sempre em mim tudo aquilo de belo que eu havia descoberto. Pedi saúde e condições de te levar comigo um dia por essa mesma jornada, na chance de te fazer entender a beleza real das coisas. Que a propósito, não estão visíveis aos olhos da carne. Fui à praia, ‘lavei a alma’, vi o pôr-do-sol enquanto passava a mão em um vira-lata que se sentou compreensivamente ao meu lado.
Ao raiar do dia, continuei o meu passei e vaguei um pouco pelos terraços de Machu Picchu para desanuviar a mente de tudo e relaxar o meu corpo tão cansado de tanto pensar. Fui ao topo de Chichén Itzá e gritei aos quatro ventos o teu nome (espero que tenhas escutado lá no fundo do coração) e claro aproveitei para dar uma olhada na paisagem, linda de morrer, por sinal, de morrer não de viver. Tive vontade de viver, muita vontade de viver! E resolvi que viveria melhor a partir daquele momento.
No final daquela mesma noite eu fui ao Coliseu de Roma e massacrei lá, como os antigos, os meus próprios elefantes, panteras e leões. Julguei ali o meu amor, fui julgada por ele também e no final das contas entramos em acordo, creio eu. Jantei, tarde da noite, em uma cantina e dormi um pouco, mas não foi um jantar qualquer foi um com tudo o que eu tinha direito, com exceção da companhia, que era você e a essa altura estava vagando pela sua própria mente, em sua própria viagem particular. Digamos então que jantei com tudo e com a sua ausência também.
E para finalizar a minha redescoberta de mim e de você fui ao Taj Mahal. Que grande ironia não? Uma das maiores provas de amor da humanidade sendo apreciada por uma alma solitária como a minha. Em todo aquele mármore branco, nos fios de ouro e nas pedras preciosas eu vi o amor de um homem por uma mulher.
Não que o amor precise ser demonstrado atráves de coisas materiais, mas o amor daquele homem foi tanto que ultrapassou a barreira do racional (assim como o meu) e deu a sua amada o que ele julgou ser o mais perfeito dos palácios. E acredite, deve ser mesmo! Me identifiquei um pouco com ele, senti que se condições tivesse, talvez fizesse o mesmo para alguém.
Vi ali, naquele lugar, naquele momento que eu já tinha construido o meu próprio Taj Mahal, em menores prorporções e sem tanto luxo, de fato. O meu era apenas um lugarzinho especial dentro de mim, o teu recanto, onde anos e anos poderiam se passar e ainda sim permanecerias ali. Intacto, incólume as forças do tempo.
Girei o mundo para ver as sete maravilhas da modernidade e não consegui encontrar sentido na beleza daquilo tudo sem alguém ao meu lado. Tudo o que eu consegui ver foi a falta que um alguém (“um você”) fazia na minha vida, e confesso, não me conformo com isso.
Como eu, em face de tanta beleza, de tanta maravilha não pude tirar você da cabeça e nem sequer no coração. Fiz então o percurso de novo, só que dessa vez com o propósito de te esquecer. Tentei te jogar da Muralha da China, te perder nas areias de Petra, pedi ao Cristo que te tirasse de dentro de mim... Escondi-me de ti por entre os terraços de Machu Picchu, gritei contigo do topo do Chichén Itzá, lutei contra ti e contra o amor que eu sinto dentro do Coliseu e morri no Taj Mahal
E por quê? Eu também não sei. No fundo, esse paradoxo que és, acaba sendo tudo o que eu tenho. As sete, oito, nove, mil.. maravilhas do meu mundo antigo, moderno, futuro. E depois de tudo eu não faço mais questão de mudar nada. Por que eu sou assim?
sexta-feira, 9 de abril de 2010
De uma paixão para a outra.
"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu"
“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.”
"Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito muito de você."
"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"
"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."
"Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço?"
"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..."
"tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, ,veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara. "
“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.”
"Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito muito de você."
"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"
"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."
"Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço?"
"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..."
"tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, ,veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara. "
sábado, 3 de abril de 2010
"Enquanto você dormia"
"É meu amigo eu sei que prometi sempre andar do teu lado. Sei que disse coisas e mais coisas sobre nossa amizade e cumplicidade, mas sabe, cansei um pouco disso. Se queres partir, ir embora, eu nada posso fazer, além de abrir a porta e acenar pra ti do portão.
Porque sabe, eu aprendi que de nada adianta te amar tanto assim se você não quer que eu te ame tanto assim. Aprendi a te olhar da janela do carro e ser feliz só te olhando de longe. Vi que posso ser feliz sem ti ou contigo, tanto faz.
De fato a felicidade não é a mesma, mas o que eu posso fazer se você não me ama tanto assim. Vou dar uma volta e não vou me desesperar, você vai voltar. Você volta toda vez. E se não voltar dessa vez, alguém vai voltar no seu lugar.
Eu não hei de padecer. Eu vou ser feliz. E um dia, meu caro, vamos nos encontrar pelas estradas da vida, pelas estradas do amor, por aquelas que a maldita esperança trilha para todos nós. Vamos nos cumprimentar gentilmente e seguir ou parar e conversar para saber como o outro tem passado.
Depende do dia, da hora, da pressa. Depende da companhia, do humor, do estado de espírito. Pode ser que eu viaje pra bem longe de você e das minhas dores, inevitáveis no caso do seu abandono, e quem sabe te mande uma carta lá de Bali dizendo que te amo e que sem ti não sei viver.
Isso é claro, dois ou três anos depois, do teu súbito desaparecimento do meu cotidiano. Vou mandar a carta sem querer saber se estas casado, namorando, noivo, enrolado ou mesmo solteiro. Vai ser uma carta de aviso, uma que vai ter escrito na última linha o número do meu vôo e o dia do meu retorno.
E o destino vai me dizer assim que eu pisar em Paris se você foi ou não. Se você for, bom, escreveremos um futuro juntos e seremos (sem dúvida alguma) felizes para todo o sempre. Se você não for, eu seguirei por Paris e por toda a Europa e depois vou girar o globo no dedo como quem gira uma bola e vou escolher o meu novo destino.
Vou torcer para que esse seja o mais distante de você possível. Mas é possível e provável que meu globo pare na direção mais rápida ate a sua casa e até do seu coração. E então eu vou bater a porta de onde quer que você more, às três da tarde de uma sexta feira santa e vou te pedir um copo d’água.
Não vou me preocupar se uma loira vestida em uma das camisas que eu te dei abrir a porta, eu vou entrar mesmo assim, sentar-me-ei na tua sala, verei toda aquela cena ridícula, tomarei três calmantes trancada no teu lavabo e sumirei de vez da tua vida. E você saberá disso, porque receberá essa carta assim que despertar essa manhã.
E o mais incrível de tudo é que digito enquanto dormes tranquilamente ao meu lado, depois de uma noite de jantar italiano a luz da lua no telhado do meu apartamento e eu estou aqui prevendo o pior dos futuros pra nós dois.
Veja bem, meu bem, quem espera coisas ruins fica feliz com as coisas boas que recebe. E o máximo que eu ouso pedir no momento é pra poder te ver acordar lindo e feliz com aquele sorriso infantil, dizendo que me ama e que não quer me perder.
Ai, eu vou esquecer os problemas do meu mundo conturbado pela loucura da minha cabeça e do meu dia-a-dia e você vai ler isso aqui e vamos seguir as nossas vidas. Mas caso tudo de errado, você saberá o que fazer."
{Trecho retirado de: Borboleta, uma história de amor}
Porque sabe, eu aprendi que de nada adianta te amar tanto assim se você não quer que eu te ame tanto assim. Aprendi a te olhar da janela do carro e ser feliz só te olhando de longe. Vi que posso ser feliz sem ti ou contigo, tanto faz.
De fato a felicidade não é a mesma, mas o que eu posso fazer se você não me ama tanto assim. Vou dar uma volta e não vou me desesperar, você vai voltar. Você volta toda vez. E se não voltar dessa vez, alguém vai voltar no seu lugar.
Eu não hei de padecer. Eu vou ser feliz. E um dia, meu caro, vamos nos encontrar pelas estradas da vida, pelas estradas do amor, por aquelas que a maldita esperança trilha para todos nós. Vamos nos cumprimentar gentilmente e seguir ou parar e conversar para saber como o outro tem passado.
Depende do dia, da hora, da pressa. Depende da companhia, do humor, do estado de espírito. Pode ser que eu viaje pra bem longe de você e das minhas dores, inevitáveis no caso do seu abandono, e quem sabe te mande uma carta lá de Bali dizendo que te amo e que sem ti não sei viver.
Isso é claro, dois ou três anos depois, do teu súbito desaparecimento do meu cotidiano. Vou mandar a carta sem querer saber se estas casado, namorando, noivo, enrolado ou mesmo solteiro. Vai ser uma carta de aviso, uma que vai ter escrito na última linha o número do meu vôo e o dia do meu retorno.
E o destino vai me dizer assim que eu pisar em Paris se você foi ou não. Se você for, bom, escreveremos um futuro juntos e seremos (sem dúvida alguma) felizes para todo o sempre. Se você não for, eu seguirei por Paris e por toda a Europa e depois vou girar o globo no dedo como quem gira uma bola e vou escolher o meu novo destino.
Vou torcer para que esse seja o mais distante de você possível. Mas é possível e provável que meu globo pare na direção mais rápida ate a sua casa e até do seu coração. E então eu vou bater a porta de onde quer que você more, às três da tarde de uma sexta feira santa e vou te pedir um copo d’água.
Não vou me preocupar se uma loira vestida em uma das camisas que eu te dei abrir a porta, eu vou entrar mesmo assim, sentar-me-ei na tua sala, verei toda aquela cena ridícula, tomarei três calmantes trancada no teu lavabo e sumirei de vez da tua vida. E você saberá disso, porque receberá essa carta assim que despertar essa manhã.
E o mais incrível de tudo é que digito enquanto dormes tranquilamente ao meu lado, depois de uma noite de jantar italiano a luz da lua no telhado do meu apartamento e eu estou aqui prevendo o pior dos futuros pra nós dois.
Veja bem, meu bem, quem espera coisas ruins fica feliz com as coisas boas que recebe. E o máximo que eu ouso pedir no momento é pra poder te ver acordar lindo e feliz com aquele sorriso infantil, dizendo que me ama e que não quer me perder.
Ai, eu vou esquecer os problemas do meu mundo conturbado pela loucura da minha cabeça e do meu dia-a-dia e você vai ler isso aqui e vamos seguir as nossas vidas. Mas caso tudo de errado, você saberá o que fazer."
{Trecho retirado de: Borboleta, uma história de amor}
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