sábado, 3 de julho de 2010

Estado atual: "A espera eterna de mim mesma na versão que faz dar certo"

Sim, dar certo. Aquela versão de mim que é mansa, não respondona, tranquila e completamente equilibrada diante das mais diversas situações. Estou a espera de calar na hora em que eu habitualmente berro, não revidar quando esperam um revide meu, a versão que deixa pra lá coisas sem sentido e infrutíferas.
Aquela "versão ano que vem" que eu digo todo final de ano que vou ser. Todo ano aquelas mesmas qualidades almejadas escritas naquela mesma folha de papel, abaixo do título "mudanças para o ano tal". Aquela mesma versão que ainda não sofreu a atualização desejada (já procurei na internet e apertei o F5 e nada!).
Já ouvi de muitos que não preciso mudar, só melhorar isso, aquilo e mais aquilo ali. E depois de me mudarem por completo dizem, na maior cara-de-pau, "é só isso, fulana". Ah, claro, é muito fácil tesourar os defeitos alheios quando não se consegue corrigir nem os seus.
As mudanças tem que vir de dentro pra fora, eu sei bem no que preciso melhorar e sem melhor ainda o que devo manter. Ninguém além de mim mesma me conheçe tão bem a ponto de dizer o que eu tenho que mudar ou deixar como está. Só eu sei o que me dói e me machuca, só eu sei o que ainda posso suportar.
Posso suportar por exemplo: gritos, xingamentos, partidas, um "adeus", um "até logo" e até mesmo um "até nunca mais", suporto uma reprovação, uma correção, uma crítica (construtiva ou não), suporto a monotonia insana de ser quem eu sou todo santo dia. Ah, suporto ter que me encarar todo dia no espelho, mesmo não me suportando, vez por outra.
Mas ao mesmo tempo sei que não posso suportar mentiras, traições, histórias mal acabadas, "meias verdades", começemos sem finais, pouco amor, pouco comprometimento, falta de lealdade, falta de respeito (principalmente!). Essas coisas acabam comigo.

Consigo lidar com um montro de 10 cabeças, mas não consigo lidar com uma mentira boba. Vai entender!

Eu sou assim, meio dia meio noite, alegria exagerada, borboletas no estômago, mais macho que muito homem, meio tímida meio sem vergonha, meio sim meio não. Ou sou as partes de um todo e um todo em si. Um paradoxo hiberbólico com um toque de antítese pra dar um sabor especial. Sou interessante, uma montanha russa, mas nem todo mundo gosta de emoção.
E depois de tudo isso eu me pergunto se eu quero mesmo mudar. Não não, acho que tá bom assim. Mudar é coisa de gente grande...

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