
Solitária, a Rainha. Presa a um tabulério com casa marcadas. Não anda só para frente, nem em L, não anda em diagonais, nem só para frente e para os lados. Anda para onde quiser andar e da forma que bem entender, um passo de cada vez.
A questão é uma só, o fim está marcado. E quando chegar lá, o que será de dela? O que será de mim? O que será de nós?
Os peões foram todos derrubados, os cavalos estão na baia há muito tempo, os bispos perderam-se pelo caminho e as torres foram todas derrubadas. E o Rei? Cadê o Rei?
O Rei anda para onde quer, quantas vezes quer, não se prende a comedida rainha. Não quer saber de um passo de cada vez.
O Rei é livre e governa não só o tabuleiro como um coração e fez dele o que bem quer. Anda com ele para onde quer e faz dele o que bem entender. Ele é o Rei, afinal. Como ser diferente, aliás, não há como ser.
Cadê o Rei?
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