quinta-feira, 23 de julho de 2009

Esse é pra um amigo que um dia me disse sempre ficar depressivo ao ler meu blog! Quero que hoje ele se sinta feliz, e que o computador dele não chore. :D





"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!"

domingo, 12 de julho de 2009

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aqui
escência de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade


Tenho saudade do que nunca tive, algo que estava ao meu lado, mas que de verdade eu nunca possuí. Pra mim foste um ""quase amor", pra ti fui uma tentativa. Não acreditei em tudo o que dissestes, mas não vou te questionar, quem me garante que esse meu descrédito não é fruto da minha própria vontade oculta de não acreditar em ti. Afinal, mais fácil seria crer que mentes, que no fundo me amas demais pra lidar e por isso foges, mas não é isso. Não gostas de mim. Pelo menos foi isso que dissestes e é nisso que vou acreditar, ou melhor, é nisso que tenho que acreditar. Se é assim que queres, assim será.
Não me imponho aonde não me querem, mas quando sou retirada de um lugar, desprezada por alguém, o que tinha de belo e doce se esvai com o tempo. E quando os olhos se abrem, tudo acabou, passou... Não tenho culpa se sou volátil, só mantenho o que cultivo. Se amo, é porque em mim foi cultivado esse amor, e é assim pra tudo. Tentei cultivar amor em ti e tudo que consegui ouvir foi "Mas os bons momentos ficam". Ficam pra você, pra mim não fica nada, podem até ter sido bons momentos, mas não foram bons o suficiente pra fazerem com que gostasses de mim.
Isso faz com que eles percam o valor, tudo o que eu vivi e senti foi em vão. Porque eu vivi junto contigo, mas senti sozinha. Pensando muito, depois do fim, não entendi muita coisa. Me pareces mentiroso agora, e não por não gostar de mim, mas por coisas que me dissestes antes.. Não entendo. Foi do nada, disso não tenho dúvidas, me queixo em um dia, no outro tudo acaba, isso é SIM do nada. Tudo parecia no lugar e de repente a casa caiu na minha cabeça, estou tonta e confusa até agora.. Meus olhos ardem de tanto chorar. Em vão.
Não choro por ti, choro por mim, pelo meu fracasso, pelos meus erros, pelas coisas que não conquistei. Não choro por ninguém além de mim, me tornei egoísta. Vou seguir em frente, na verdade, já estou seguindo. Devagar e sempre eu vou, mais um vez, pra quem se queixava de ser mais um, não fizeste questão de ser diferente. Não fizeste por onde. Eu fiz tudo o que eu pude, pedi, pedi e pedi, coisas que eu nunca fiz. Paciência. Se não servir de mais nada, serve de aprendizado. Um dia vais saber de tudo, um dia vais...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Fim

O fim. Tudo tem um fim, seja ele esperado ou não. Esse mesmo fim, pode ser apenas um novo começo, mas mesmo assim é o fim. Com razão ou sem, feliz ou triste, rápido e frio ou mesmo lento e doloroso, é ainda sim o fim. Não adianta usar-se do eufemismo, o fim é o término, algo que deixa de ser, que muda, e isso nem sempre (ou na maioria das vezes) é bom.
O fim maltrata, doí, faz chorar. Mesmo que esse fim seja só um "até breve"... Ainda sim, é o tão temido fim. O que me leva a pensar, se era pra terminar pra que começou? Tentar! Isso, amor é jogo de azar e tem tudo a ver com tentativas. Nem sempre tiramos a sorte grande, ou estamos com o "full hand". Normalmente mandamos o "home-run" mesmo... O mais comum é estar sempre convivendo com o fim, o que me leva a crer que faço parte da maioria e que a garota do "full hand" é a exceção a regra. E voilá, tenho que me acostumar com isso.
A vida é feita de "fins" e não de "exceções", e eu querendo ou não tenho que aprender que não posso ganhar todo dia.. E me manter firme na minha fé. Afinal, pra todo pézinho velho e cansado a um sapatinho velho que lhe caiba. Mas será que isso não tem um fim também?
Talvez sim, talvez não, o fim é o fim, que simplesmente se contrapõe ao para sempre. Ou eu estou viajando? Juro que não estou bêbada! De qualquer forma.. O para sempre, sempre acaba.. Aí é o fim!